Conteúdo informativo desenvolvido pela
Psicóloga
Maristela Vallim Botari CRP-SP 06-121677
sem a finalidade de substituir a
consulta psicológica, nem esgotar o tema.
Trata-se apenas de um convite à reflexão
O Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica (TCAP) é caracterizado por episódios recorrentes de ingestão excessiva de alimentos acompanhados da sensação de perda de controle. Diferentemente da bulimia nervosa, esses episódios não são seguidos por comportamentos compensatórios, como vômitos autoinduzidos ou uso de laxantes. O diagnóstico é realizado por profissionais de saúde mental com base em critérios clínicos descritos no DSM-5, considerando a frequência dos episódios, o sofrimento associado e o impacto na vida cotidiana.
Pessoas com TCAP podem apresentar sentimentos de culpa, vergonha, ansiedade ou tristeza após os episódios compulsivos. O transtorno também pode estar associado a dificuldades emocionais, preocupação excessiva com peso e imagem corporal, além de sintomas de ansiedade ou depressão. Embora seja mais frequente em pessoas com obesidade, o transtorno pode ocorrer em indivíduos de diferentes perfis físicos.
O tratamento costuma envolver abordagens multidisciplinares, incluindo acompanhamento psicológico, médico e nutricional. Entre as modalidades terapêuticas mais estudadas estão a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e a Psicoterapia Interpessoal. Essas abordagens buscam ampliar a compreensão sobre padrões emocionais, pensamentos relacionados à alimentação e hábitos que podem estar associados aos episódios de compulsão alimentar.
Na Terapia Cognitivo-Comportamental, o trabalho pode envolver a identificação de pensamentos automáticos, crenças disfuncionais e situações emocionais relacionadas à alimentação. Também podem ser discutidas estratégias de enfrentamento, organização da rotina alimentar, percepção emocional e desenvolvimento de formas mais conscientes de lidar com estresse, frustração e ansiedade.
A psicoterapia também pode favorecer reflexões sobre autoestima, relações interpessoais, experiências emocionais e possíveis padrões de comportamento relacionados ao comer compulsivo. Em alguns casos, o acompanhamento integrado entre psicólogo, psiquiatra e nutricionista pode contribuir para uma compreensão mais ampla das necessidades do paciente.
É importante destacar que cada pessoa apresenta uma experiência singular em relação ao transtorno alimentar, e o processo terapêutico deve ser individualizado, respeitando as características e demandas de cada caso.
Referências bibliográficas
- Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5) — American Psychiatric Association.
- Tratando a Compulsão Alimentar: Um Manual do Terapeuta — Christopher G. Fairburn.
- Claudino, A. M.; Borges, M. B. F. “Critérios diagnósticos para os transtornos alimentares: conceitos em evolução”. Revista Brasileira de Psiquiatria, 2002.
- MSD Manuals – Transtorno de Compulsão Alimentar
- Judith Beck — autora do método “Pense Magro”.
