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Paixão - prazo de validade



Como lidar com a paixão? Psicologia do amor

Os apaixonados costumam perder o senso crítico, especialmente nos primeiros meses de relacionamento, pois algumas partes do cérebro, responsáveis pelo raciocínio são "sequestradas" por outras partes que respondem pelo processo de apaixonamento. Isto ocorre para que os parceiros tenham tempo de se cortejarem, partindo para o acasalamento.

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato
O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço
O amor comeu meus cartões de visita, o amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome
O amor comeu minhas roupas, meus lenços e minhas camisas,
O amor comeu metros e metros de gravatas
O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus
O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos
O amor comeu minha paz e minha guerra, meu dia e minha noite, meu inverno e meu verão
Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte
Composição: João Cabral de Melo Neto


Este processo de apaixonamento costuma levar as pessoas à loucura, pois com a perda parcial do senso crítico há uma tendência à distorção dos fatos. Os apaixonados tendem a interpretar de forma ampliada os estímulos que se referem ao parceiro afetivo e minimizar os que exigem o uso da lógica.


Na prática isto pode significar crises de ciúme, possessividade, vinculação excessiva, exclusivismo, dominação, dentre outros comportamentos inadequados. E isto porque, segundo Fisher (2004) o comportamento do parceiro afeta diretamente seu par. E quando algo nos afeta, formamos um vínculo em maior ou menos escala (afeto significa afetar, impactar, causar alguma reação em algo ou alguém).


Fisher também salienta que há uma tendência à empatia mútua: é muito frequente que um dos parceiros "sinta" o que o outro sente. isto ocorre porque algumas partes do cérebro (responsáveis pela formação e manutenção do vínculo) estão hiperativas. Dentre estas áreas, podemos citar: o sistema límbico (circuito de Papez), o hipotálamo.


As regiões cerebrais responsável pelo alertas e medo e o córtex cingulado, responsável pelo senso crítico, estão parcialmente desligadas na paixão, e isto leva alguns apaixonados a se envolverem em comportamentos de risco. Gastar excessivamente para agradar o parceiro, sem temer o que pode acontecer pode ser um clássico exemplo!!


Fazendo uma triste analogia: os casais apaixonados se comportam de forma próxima aos dependentes químicos, que sentem prazer ao entrar em contato com o objeto da sua dependência, e sensação de abstinência quando o objeto está ausente. No caso dos apaixonados, esta abstinência pode ser comparada àquela saudade enorme que bate quinze minutos depois que o parceiro vai para sua casa.


Este apego tem prazo de validade. 


Fisher aponta que este apaixonamento é um estado transitório que dura de 12 a 24 meses, tempo suficiente para que os pares se conheçam, e que esta vinculação se transforme em intimidade e compromisso, se transformando em AMOR.


Para saber mais sobre amor, leia o post "Vamos falar de amor"


Porém, isto nem sempre acontece. Em alguns casos, a vinculação acaba cedo demais em um dos pares, deixando o outro numa situação de insegurança. Nesta fase, as características negativas do outro tendem a aparecer, e isto pode assumir uma forma de desvinculação.

Por isso, as brigas tendem a ser frequentes, e muitas vezes envolvem até as famílias. Quando isto ocorre, é importante que ambos tenham clareza do que está acontecendo, assumindo que se a paixão acabou unilateralmente, pouco poderá ser feito para reverter, pois como foi dito, trata-se de um processo biológico.

Se sobraram bons sentimentos como a admiração, o companheirismo, a intimidade, o comprometimento, é possível contornar esta situação e viver uma relação saudável e duradoura (como muitos casais). Se não sobrou anda além do desrespeito, da exploração, da deslealdade... bem.... é hora de pensar se vale a pena investir no resgate desta relação. 

As vezes o recomeço pode ser mais produtivo e menos desgastante emocionalmente.




Referências:
FISHER, Helen. Porque Amamos. a natureza e a química do amor romântico. Buenos Aires; 2004.


Maris. V. Botari
Psicóloga
(11) 99984-9910
psicologamaris@gmail.com










*Psicóloga que atende Bradesco em SP*

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