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O normal e o patológico

O normal e o patológico
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A normalidade:

"Será que eu sou normal?" é a pergunta clássica da maioria das pessoas que procuram atendimento psicológico.

A resposta, dentro do âmbito de atuação da Psicologia não é simples uma vez que requer a análise de múltiplos fatores.

O primeiro fator é a ser levado em conta é idiossincrático, ou seja: um indivíduo é considerado normal ou patológico em relação a si mesmo, por mais que seu comportamento destoe dos demais (na maioria dos casos que não envolvem psicopatologia). 

Por exemplo: uma oscilação de humor básica é absolutamente normal, e desejada na maior parte dos casos. Quando alguém está feliz, mas lembra de algum evento estressor, seu humor tende a mudar. Isto não é patológico; é normal e esperado, afinal somos capazes de modular nosso humor de acordo com o contexto.

Outro exemplo são das pessoas que "choram a toa, sem motivo aparente".
Será que este choro é a toa mesmo? Será que as lágrimas não seriam a manifestação de algo muito doloroso, que só faz sentido pra quem as derrama? 
Não existe bola de cristal capaz de mostrar o que um indivíduo sente. E não dá pra falar que a demonstração de emoções seja anormal, sem considerar o contexto.

O segundo fato se refere ao contexto: O indivíduo pode ser considerado anormal em relação ao seu contexto. Suponhamos que em um lar onde todos sejam evangélicos, alguém seja ateu. Neste caso ele saiu dos padrões, mas está longe de ser patológico. Pra ele, ser diferente dos demais tem muitos sentidos. É importante que haja compreensão mútua e ajuste de interesses, buscando um ponto de entendimento que seja confortável para todos.

O patológico

Consideramos patológico aquilo que é egossintônico (anormal em relação ao próprio indivíduo) ou egodistônico (anormal em relação ao meio); comportamentos que envolvem sérios prejuízos de ordem material, física, afetiva, mental e social; que coloquem em risco a si mesmo e/ou ao meio.

Egossintônicos = Podemos tomar como exemplo os casos de compulsão alimentar, que causam prejuizos de ordem física e mental (as vezes material). O indivíduo sabe que não deve se alimentar exageradamente, mas não consegue evitar, mesmo tendo que enfrentar o sentimento de culpa. Alguns casos de dependência química se encaixam nesta explicação.

Egodistônicos = Podemos citar como exemplo os casos de sociopatia, onde um indivíduo comete um crime e não consegue sentir culpa ou remorso. Para ele, isto pode parecer "normal", mas diante da sociedade é este comportamento é altamente condenável. 

Conclusão

Não dá pra fechar diagnóstico com base em poucos comportamentos observáveis, ou em opiniões pessoais, ou padrões impostos por uma determinada sociedade. Aquilo que aos olhos dos outros nos parece anormal, pode ser normal e desejável.

É preciso ampliar os horizontes do entendimento acerca do funcionamento humano para que possamos compreender o indivíduo dentro do seu contexto biopsicossocial.

Psicológica
Maristela Vallim Botari
CRP-SP-06/121677

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